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domingo, 22 de janeiro de 2012

PRIVILÉGIOS SEM FIM - MATÉRIA DA REVISTA " ISTO É" DE 23/01/12 , E COMENTÁRIOS DE SEUS LEITORES ON LINE .

  N° Edição:  2202 |  20.Jan.12 - 21:00 |  Atualizado em 23.Jan.12 - 00:43

Privilégios sem fim

Enquanto parte da magistratura ainda resiste à transparência e ao controle externo, novos casos de fraudes e injustificadas regalias vêm à tona, enredando o Judiciário brasileiro numa crise sem prazo para acabar

Izabelle Torres e Alan Rodrigues
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CAIXA-PRETA
No Tribunal de Justiça de São Paulo, o maior do País, 17 desembargadores
receberam pagamentos individuais de quase R$ 1 milhão numa tacada só
O Judiciário brasileiro vive uma crise sem precedentes e sem previsão para terminar. Enquanto magistrados não conseguem apresentar justificativas para o recebimento de benesses milionárias, 205 pessoas que trabalham em tribunais estão incluídas numa lista de suspeitos de movimentação financeira irregular. Nesse ambiente conturbado, cresce o movimento de magistrados refratários à atuação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), criado em 2004 exatamente para executar o controle externo do Poder mais fechado e menos transparente da República. De outro lado da trincheira encontra-se justamente a corregedora nacional de Justiça, ministra Eliana Calmon. Atuando em defesa da transparência e da moralidade no Judiciário, ela se mantém firme no propósito de investigar eventuais desvios e excessos dos magistrados. A reação, por sua vez, parte de juízes e desembargadores acusados pelo CNJ de terem desfrutado de vantagens financeiras descabidas ou ilegais. O caso mais ostensivo é o do Tribunal de Justiça de São Paulo, o maior do País. Ali, 29 dos 352 desembargadores receberam mais de R$ 400 milhões em benefícios como férias atrasadas e gratificações. Apesar das pressões de colegas que não participaram do banquete, até agora não há explicação convincente para a distribuição de tais regalias. “Este ‘segredo de polichinelo’ prejudica a todos, colocando-nos sob suspeita, ao mesmo tempo em que preserva os que se aproveitaram da amizade ou do conluio para atropelar preceitos legais”, disse o desembargador Caetano Lagrasta.

Pesa contra o TJ-SP a acusação de repassar quantias milionárias para alguns magistrados privilegiados. Entre eles figuram nomes graúdos do Judiciário como o presidente do STF, ministro Cezar Peluso, e o ministro Ricardo Lewandowski, também do STF e atual presidente do TSE. Ambos participaram do fatiamento de R$ 17 milhões de uma sobra de caixa do TJ-SP. Outros 17 desembargadores receberam pagamentos individuais de quase R$ 1 milhão de uma só vez, passando na frente de colegas que também tinham direito a diferenças salariais. Apenas o desembargador Roberto Vallim Bellocchi, que presidiu o tribunal entre 2008 e 2009, recebeu da corte mais de R$ 500 mil a título de verbas e créditos pagos com atraso. O dinheiro, argumentou ele, serviu para quitar “parcialmente dívida de imóvel e pendências bancárias”.


Com o orçamento de R$ 6, 8 bilhões, equivalente ao do Estado de Sergipe, o tribunal paulista é o principal exemplo da gastança desenfreada que se abateu sobre o Judiciário. Mas não é o único. Dados do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) mostram que houve movimentações milionárias “atipicas” também no Distrito Federal, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia. O relatório do Coaf entregue à ministra Eliana Calmon revela que as operações suspeitas de magistrados e servidores entre 2000 e 2010 alcançaram R$ 855 milhões. Da lista constam casos surpreendentes, como o de um servidor do Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro, que movimentou mais de R$ 200 milhões. Depois de divulgar a grave ocorrência, o Coaf voltou atrás e explicou que as operações não foram realizadas no âmbito do Judiciário. O funcionário do TRT-RJ era doleiro antes de assumir o cargo público, e naquela condição teria fechado seus negócios milionários. Diante da reação dos tribunais e das críticas feitas à lista de suspeitos, o Coaf fez um novo filtro nos dados e identificou 205 casos que resultaram em Relatórios de Inteligência Financeira. “O levantamento do Coaf não é um banco de dados de bandidos”, justifica Antonio Gustavo Rodrigues, presidente do conselho.
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LADOS OPOSTOS
A corregedora de Justiça Eliana Calmon atua para acabar
com benesses, como a que permitiu que o desembargador
Roberto Vallim, do TJ-SP, recebesse da corte mais de R$ 500 mil
As regalias são um problema secular. Fechado para a sociedade, o STJ também é uma caixa-preta e não costuma divulgar seus gastos. A falta de transparência bate de frente com a resolução do CNJ que obriga os órgãos judiciais a divulgar detalhes do uso de dinheiro público. Apesar da ofensiva contra o controle externo dos tribunais, acredita-se que a chegada do ministro Ayres Britto à presidência do STF e do CNJ pode evitar o esvaziamento do órgão. “Pessoalmente, vejo o CNJ como uma bela novidade transformadora. O Conselho é como a Lei da Ficha Limpa: não pode ser temido por quem prima pela Constituição e pelas leis”, disse à ISTOÉ o futuro presidente do Supremo.
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Ricardo

EM 23/01/2012 00:38:43
O Judiciário é o mais corrupto e podre dos poderes. Presidente da República trocamos a cada 4 ou 8 anos. Deputados e senadores, idem. Este ainda podem ser cassados ou sofrer impeachment. Magistrado não! Uma vez larápio, é vitalício. O povo tem que tolerá-lo até depois de morto, pagando pensão.

João Guilherme

EM 22/01/2012 17:01:35
Infelizmente o Brasil está passando por um momento sombrio da sua história, espero que não seja preciso de novo os militares intervir! A corrupção a cada dia está mais desenfreada??

walfredo

EM 22/01/2012 15:53:36
Um grande návio de piratas, é no que se transformou o Judicíaro Brasileiro, uma vergonha e o povo brasileiro não merecia ou melhor não merece conviver ao lado dessa pirataria que saqueia o próprio país. Mais uma vez a sujeira ficara em baixo do tapete, e eles seram poupados de lamber a sugeira......

walfredo

EM 22/01/2012 15:47:41
Um grande návio de piratas, é no que se transformou o Judicíaro Brasileiro, uma vergonha e o povo brasileiro não merecia ou melhor não merece conviver ao lado desses piratas que saqueiam o próprio país. Mais uma vez a sujeira ficara em baixo do tapete, e eles seram poupados de lamber a sugeira.

Vale a pena ver de novo: judiciário e magistratura na berlinda.... e ainda fazem "CONVESCOTE!"

 Entrevista do jornalista Kennedi Alencar e a Ministra Eliana Calmon no Programa Pinga Fogo da Rede TV em 20/11/11.
O que é convescote: s.m. Bras. O mesmo que piquenique.

Ministra cita Tagore:

(Rabindranath Tagore - Índia 1861 // 1941 Escritor/Poeta/Músico)

"... terei vida simples e reta como  flauta de bambu e tu a encherás de música. "

sábado, 21 de janeiro de 2012

INCA - URGENTE


REPASSANDO
 
 
Se não puder ir, repasse!Clique em mim!
 
INCA PEDE SOCORRO!!!

Quem tiver contatos no RJ, por favor, retransmitir a mensagem. É importante.
O INCA - Instituto Nacional do Câncer - fica na Praça da Cruz Vermelha - 23, no Centro do Rio).

Repasse a mensagem para quem vocês puderem, pois a situação do Instituto Nacional do Câncer
é realmente dramática. Eles não têm sangue, nem doadores. Já saíram notas nos jornais e pouco adiantou.
O Instituto Nacional do Câncer - INCA - está precisando urgentemente de doadores de sangue.
O banco de sangue está quase vazio e o Hospital enfrenta dificuldades, até para marcar cirurgias, muitas vezes, precisando recorrer a outros bancos de sangue da cidade, que também passam pela mesma dificuldade: falta de doadores.
A transfusão de sangue para pessoas com câncer é muito importante.
Sem ela, muitos pacientes não conseguiriam sobreviver aos tratamentos que envolvem drogas pesadas.
Para doar, basta chegar na portaria do Hospital com sua carteira de identidade ou qualquer documento similar, apresentando- se como doador.

NÃO vá em jejum, alimente-se de coisas leves e não gordurosas (evite derivados de leite), evite o álcool por pelo menos 12 horas.
Você deve estar em boas condições de saúde, ter entre 18 e 60 anos e pesar 50kg ou mais.
Esta mensagem pode alcançar muitos doadores, se você enviar agora para outros endereços.
Por favor, colabore. Faça a sua parte! Muitas vidas agradecem.
OBS: Mesmo que você não possa ou não esteja interessado em realizar a doação, não deixe de repassar essa mensagem para seus amigos.
É uma causa importante, todos podem colaborar de alguma maneira.
RIO DE JANEIRO
 
 
 
 
 
 
Hospital Universitário Graffree e Guinle Rua Mariz e Barros, 775 -Tijuca - Rio de Janeiro - RJ CEP: 22290-240
 
 
Hospital Mário Kroeff - Associação Brasileira de Assistência ao Câncer Rua Magé, nº326 - Penha Circular - Rio de Janeiro-RJ
CEP 21020-130
 
 
Instituto Nacional de Câncer - INCA - Hospital do Câncer I Pça. Cruz Vermelha, 23 - Centro - Rio de Janeiro - RJ CEP: 20230-130
 
 
Instituto Nacional de Câncer - INCA - Hospital do Câncer II Rua Equador, 831 - Santo Cristo - Rio de Janeiro-RJ
CEP 20220-410
 
Instituto Nacional de Câncer - INCA - Hospital do Câncer III Rua Visconde de Sta. Isabel, 274 - Vila Isabel -Rio de Janeiro-RJ
CEP 20560-120
 
Hospital Universitário Clementino Fraga Filho-UFRJ Avenida Brigadeiro Trompowski, s/n - Ilha do Fundão - Rio de [WINDOWS-1252? ]Janeiro–RJ
CEP 21949-900
 
Hospital Universitário Pedro Ernesto - UERJ Avenida 28 de setembro, 77 - Vila Isabel - Rio de Janeiro-RJ
CEP 20555-030
 
Instituto de Hematologia do RJ - Hospital de Hematologia - HEMORIO Rua Frei Caneca, 8 - Centro - Rio de Janeiro-RJ
CEP 20211-030
 
 
 
 
 
 
Volta Redonda
 
Radiclin Rua 26, nº3 - Vila Santa Cecília - Volta Redonda-RJ
CEP 27260-270
RIO DE JANEIRO
 
Campos
 
Hospital Geral Dr. Beda - Instituto de Medicina Nuclear e Endocrinologia LTDA. Rua Conselheiro Otaviano, 129 - Centro - Campos-RJ
CEP 28010-272
 
 
Clínica Santa Maria Ltda. Rua Conselheiro Otaviano, 195 - Centro - Campos-RJ
CEP 28010-140
 
Niterói
 
Hospital Universitário Antonio Pedro - UFF Rua Marques do Paraná, 303 - Centro - Niterói-RJ
CEP 24030-210
 
Nova Iguaçu
 
Hospital Universitário de Nova Iguaçu Avenida União, 673 - Nova [WINDOWS-1252? ]Iguaçu–RJ
 
Instituto Oncológico Ltda. Rua Dr. Barros Junior, 1135 - Nova Iguaçu-RJ
CEP 26215-070

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

RJ tenta suspender reajuste de servidores da JustiçaPRECISA-SE DE DOADORES DE SANGUE EM ESPECIAL "O" NEGATIVO!

Notícias

12 janeiro 2012
Caos nas contas


Para suspender a liminar concedida pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que determinou a concessão imediata do reajuste de 18,47% a cerca de 1,3 mil servidores do Judiciário local, o governo do estado entrou com uma Suspensão de Tutela Antecipada no Supremo Tribunal Federal. O Estado sustenta que a medida afronta a súmula 339 do STF e contraria princípios constitucionais, resultando em risco à economia e à ordem pública.
O reajuste em questão remonta à década de 80. Após a edição da lei, os funcionários contestaram dispositivo que excluiu os integrantes do Judiciário do reajuste de 70,5% concedido aos servidores públicos civis e militares. O grupo entrou com ação na Justiça, que reconheceu o direito dos autores da ação de terem acesso ao benefício — desde que abatidos todos os aumentos concedidos com exclusividade aos servidores do Judiciário até então — o que resultou em reajuste de 24%.
Em 2010, a presidência do TJ-RJ, em decisão administrativa, estendeu o benefício a todos os servidores, determinando a incorporação do aumento em parcelas anuais. A Justiça fluminense, no entanto, deferiu liminar pleiteada pelos autores da ação determinando ao Estado a incorporação imediata do reajuste integral, sob pena de multa diária.
Efeito multiplicador
No entendimento do governo do Rio, a lei estadual ao excluir os servidores do Judiciário do reajuste não violou o princípio constitucional da isonomia, “o qual consiste não só em tratar igual os iguais, mas também em tratar desigualmente os desiguais”. Para o autor da ação no STF, o legislador, de forma deliberada, buscou permitir a distinção remuneratória daqueles que desempenham tarefas em condições especiais.
Segundo o estado, a decisão questionada o obriga a implantar já no próximo pagamento desses servidores a totalidade do reajuste, que seria incorporado em quatro parcelas anuais. A primeira delas (5,53%) começou a vigorar em janeiro de 2011 e as demais (no total de 18,47%) seriam incorporadas até 2014.
Para o Estado, a liminar da Justiça fluminense contraria a Súmula 339 do STF, segundo a qual “não cabe ao Poder Judiciário, que não tem função legislativa, aumentar vencimentos de servidores públicos sob o fundamento de isonomia”. Conforme argumenta na ação, ao estender o reajuste previsto na legislação estadual a servidores da Justiça não incluídos entre os beneficiários da lei, o Judiciário assumiu a função de legislador positivo, violando ainda o princípio constitucional de separação e harmonia dos Poderes.
Além disso, segundo o governo, a concessão imediata do reajuste em uma única parcela a determinados servidores traz graves riscos de lesão à economia e à ordem pública, “potencializados diante do inevitável efeito multiplicador”, o que justifica a concessão de liminar por parte do STF. Conforme exemplifica o autor no pedido, apenas na comarca da capital tramitam centenas de ações com pedidos idênticos.
“É de uma obviedade acaciana que um aumento gracioso na ordem de 24%, da noite para o dia, a todos esses servidores, provocará um verdadeiro caos nas contas públicas”, sustenta. Segundo o governo, o imediato dispêndio desses recursos resultaria em pesado ônus para o Poder Judiciário, podendo, inclusive, prejudicar outras atividades, como projetos de inclusão social e digital, assim como a central de assessoramento criminal. Com informações da Assessoria de Imprensa do STF.
STA 624



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Aos leitores deste Blog, estamos divulgando o pedido de Marisa para doação de sangue a favor de seu irmão.  Eles são neto de Octávio Brandão, patrono do CCOB, Centro Cultural Octávio Brandão, que funciona em Maria da Graça. Repassamos abaixo o seu pedido que nos foi enviado por correio eletrônico:

" Alguns sabem, outros não.
Estou com um irmão muito doente que vai passar por uma cirurgia decisiva no dia 23 de janeiro.
Precisamos de doadores de sangue, por isso peço a ajuda de vocês.
Quem puder, doar; quem puder, divulgar.

LOCAL PARA DOAÇÃO

R. Padre Leonel França, 110, 6o andar - Gávea - Cidade do RJ
(próximo à PUC e Planetário da Gávea)
De 2a à 6a feira, de 8 às 13h
Não precisa de jejum
DOAR EM NOME DE
ÁLVARO ALVES DA ROCHA NETO
PARA O HOSPITAL SÃO LUCAS

Pode ser qualquer tipo de sangue, mas vai um pedido especial para quem tem sangue O negativo, pois é o dele e é um sangue mais difícil de se conseguir.

Quem fizer a doação, peço que me avise: Marisa Brandao <
marisabrandao1@gmail.com  "

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

CNJ põe Senado e STF em rota de colisão - Matéria retirada do sitio Congresso em Foco

Enquanto o Supremo discute limitar atribuições do Conselho Nacional de Justiça, senadores articulam votação de proposta que amplia o poder de investigação do colegiado

Demóstenes: “Ou o CNJ pode ter poderes de processar e julgar, ou o Conselho não tem razão de existir"

O assunto debatido será o mesmo, mas o resultado pode ser exatamente o oposto. Em fevereiro, os senadores e os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) pretendem definir até onde o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) pode atuar. Enquanto o Senado analisa uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para ampliar as prerrogativas do CNJ, a mais alta corte do país analisa uma ação direta de inconstitucionalidade que limita a possibilidade de o CNJ investigar integrantes da magistratura. Há três semanas, duas liminares concedidas pelo Supremo suspenderam investigações da corregedoria do Conselho, decisão que abriu uma crise interna no Judiciário.

A expectativa é que, na primeira quinzena do próximo mês, entre na pauta da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado a PEC 97/11. De autoria do senador Demóstenes Torres (DEM-GO), ela explicita e, em alguns casos, aumenta os poderes do CNJ para investigar juízes. Ao apresentar a proposta, o senador goiano pretende derrubar a tese de que o Conselho não pode investigar a magistratura.


No meio jurídico, o questionamento é se o CNJ pode iniciar uma investigação antes de as corregedorias dos tribunais de Justiça atuarem. Esse é o objeto da ADI 4638, apresentada pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB). Em dezembro, o ministro do STF Marco Aurélio Mello concedeu uma liminar limitando os poderes do conselho. O mérito da ADI deve ser analisado no próximo mês.

Votação adiada

Por conta dessa dúvida é que Demóstenes apresentou a PEC. Ex-procurador-geral de Justiça de Goiás, ele queria que a matéria tivesse sido votada em plenário em dezembro. Ele afirmou que havia acordo para isso. No entanto, a análise ficou para 2012. “Eunício se comprometeu com vários senadores a suspender a reunião, enquanto se desenrolava a sessão do Congresso, podendo retomá-la mais tarde para votarmos a PEC, mas rompeu com esse compromisso”, disse, na época, fazendo referência ao presidente da CCJ, Eunício Oliveira (PMDB-CE).

No dia em que a discussão sobre a PEC começou, estava marcada uma sessão do Congresso para começar a análise da proposta orçamentária de 2012. Demóstenes, logo após a sessão, chegou a dizer que o adiamento ocorreu por conta de pressão feita por integrantes da magistratura e até de ministros do STF contrários à proposta. O presidente da CCJ, no entanto, negou que isso tenha ocorrido. Ele argumentou que, por conta do regimento interno do Senado, não poderia suspender a sessão da CCJ, somente encerrá-la.
Demóstenes recordou que havia uma expectativa entre os senadores para a votação da PEC na CCJ. A proposta deixa claro que o CNJ tem poderes para iniciar processos contra juízes, desembargadores e ministros de tribunais superiores por irregularidades administrativas ou crimes. “Ou o CNJ pode ter poderes de processar e julgar, ou o Conselho não tem razão de existir”, afirmou, de acordo com a Agência Senado.

Competências definidas

Entre outras mudanças, a PEC de Demóstenes explicita as competências do CNJ para processar e julgar, de ofício ou mediante provocação de qualquer pessoa, faltas disciplinares praticadas por membros ou órgãos do poder Judiciário e auxiliares da Justiça, ou de serventias do foro extrajudicial. A proposta permite ao Conselho, por exemplo, determinar a remoção, a disponibilidade ou a aposentadoria com subsídios ou proventos proporcionais ao tempo de serviço, aplicar advertência e censura, inclusive em relação aos magistrados de segunda instância e dos tribunais superiores, bem como outras sanções administrativas, assegurada a ampla defesa.

Também dá competência para o Conselho chamar para si processos disciplinares em curso nas corregedorias locais, além de procedimentos prévios de apuração. Outra inovação é o aumento de um para cinco anos do prazo para os conselheiros reverem as investigações feitas nos estados. O texto explicita o caráter autônomo e concorrente da competência do CNJ e da Corregedoria Nacional de Justiça em relação aos órgãos administrativos dos tribunais.
Com as modificações, Demóstenes pretende acabar com as dúvidas sobre a forma que o CNJ pode atuar. Pela proposta, o Conselho passaria a ter poderes requisitar de informações, exames, perícias ou documentos, sigilosos ou não, das autoridades fiscais, monetárias e outras competentes, “quando imprescindível ao esclarecimento de processos ou procedimentos submetidos à sua apreciação”.

“Pratos limpos”

Relator da proposta na CCJ, Randolfe Rodrigues (Psol-AP) ressaltou, no seu parecer pela aprovação do texto, que boa parte do conteúdo da PEC tão somente detalha “comandos que já se encontram no texto constitucional vigente”. Para ele, o acréscimo não muda o significado da atuação do CNJ. Porém, ele considera as mudanças necessárias por conta do que qualificou como “tentativas recentes de reduzir o alcance das competências do Conselho”.

“A PEC apresentada pelo senador Demóstenes Torres coloca essa questão em pratos limpos. Esclarece definitivamente a função do CNJ e devolve a ele todas as prerrogativas que vem exercendo no sentido de fortalecer a confiança da população no poder Judiciário brasileiro”, disse o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-AP) em dezembro, no plenário do Senado.