
Centro Socialista de Trabalhadoras/es do Judiciário, entidade de luta sindical democrática e participativa, de braços dados com outros movimentos sociais. Buscamos congregar a classe trabalhadora do TJ-RJ (serventuária, terceirizada ou estagiária), solidarizando-se com o povo como um todo contra os desmandos do Estado e do Capital.

Espada de Leiga
Em um determinado Centro de Especialização, Analista com especialização em Psicologia teve a sua reunião interrompida com uma estagiária, pela coordenadora do centro, que questionou o fato da Analista ter registrado que determinada criança estava em risco psicológico e pela mesma servidora ter apontado que a genitora da criança apresentava traços de esquizofrenia. Sem possuir formação em Psicologia ou em Serviço Social e mais interessada em satisfazer dados estatísticos, a superiora acabou por solicitar a remoção da Analista, o que acabou ocorrendo. Enfim, esse é o “melhor Tribunal do país”: que se dane o assistido, principalmente se for carente em todos os sentidos. O que importa são os boletins estatísticos.
(Nota publicada na página 2 do Jornal Boca Maldita n° 124, RJ, setembro-outubro/2024,
na conhecida coluna “O Sombra Sabe”)
Brindes fofinhos
Enquanto a privatização avança e
o servidor continua tomando chumbo grosso, sem ter novamente reajuste na sua
data-base, o sindicato distribui brindes: um boné, uma bolsa, uma caneta, um
calendário, um chaveiro, um marcador de livro, um imã, um porta-retratos... Que
fofo!

Brindes "fofos" e o servidor tomando chumbo grosso.
Ah, tá explicado!
A advogada Ana Tereza Basílio, vice-presidente da bolsonarista OAB/RJ e que escreveu, recentemente, dois artigos no jornal “O Globo” cobrando melhores serviços do Judiciário, foi juíza substituta no Tribunal Regional Eleitoral; chegou a ser eleita como uma das referências da arbitragem (“justiça” para as grandes corporações) no Brasil e é casada com um desembargador do TRF-2a Região. Não precisa dizer mais nada.
Que Administração boazinha! (1)
Muitos dos colegas das serventias
extintas foram lotados em locais distantes das suas residências, alguns na Zona
Oeste. Praticamente, por livre e espontânea pressão, foram coagidos a aceitar o
trabalho à distância para não terem o transtorno do traslado da casa para o trabalho
e a volta. De quebra, tiveram que entubar mais 25% de produtividade em troca do
dissabor previsto. Como é boazinha essa Corte!
Enquanto se mostrou insensível
aos apelos e atos dos aprovados no concurso para o TJ de 2021 por novas
convocações, a mesma Administração, se apoiando na lei, garantiu a convocação
de residente(s) jurídico(s), condenado(s) anteriormente, e que perdera (m) o
cargo público. Esclarecemos: não se trata de questionar o fato de que ninguém
pode ser condenado de forma perpétua, mas perguntar por que tanta má vontade
com As pessoas concursadas que foram descartados, mesmo com excelente
desempenho? Sim, a cartilha da privatização é que explica determinadas
escolhas.
(Notas publicadas na página 2 do Jornal Boca Maldita n° 124, RJ, setembro-outubro/2024, do CESTRAJU – Centro Socialista de Trabalhadoras/es do Judiciário.)
Reforça-se o alerta vermelho em
relação ao RIOPREVIDÊNCIA: o mesmo é um fundo de previdência construído em base
ao regime de solidariedade entre os trabalhadores, ou seja, um número bem maior
de servidores ativos garante um número menor de aposentados. Com as Reformas da
Previdência de 2003 e 2019, entretanto, não houve ajustes nos fundos de previdência
público, como mentiram os governantes e a grande imprensa, mas sim um enfraquecimento
dos mesmos e o início da privatização. Para se ter uma ideia disso, o rombo no
PREVI-RIO, do Município do Rio, é mais de 35 bilhões.
Paralelamente, o número de servidores diminuiu, nesses mais de 20 anos. No Executivo Estadual com a contratação de trabalhadores não concursados na Educação, como os professores contratados ou a terceirização explícita da Saúde estadual, com a implementação das Organizações de Saúde (OSS) e Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares).
No TJ, apesar de muitos acharem
que vivem apartados desse caos privatista que tomou o serviço público, esse
filme de terror trouxe diversas versões: o aumento de terceirizados; o serviço
voluntário; o residente jurídico, e, agora, os secretários 1 e 2 como
extraquadros. A isso tudo se combinou a realização dos PIAS sem a contrapartida
necessária de chamada dos concursados de 2014 e 2021. Esses expedientes
privatistas fizeram com que o número de serventuários diminuísse bastante nos
últimos dez anos, sob o silêncio conivente dos dirigentes do sindicato e do “dono”
da entidade sindical.
Já sabemos, de antemão, o final
desse filme: a bomba vai estourar nas mãos dos aposentados e pensionistas e no
comprometimento das aposentadorias futuras. Vamos assistir passíveis esse circo
de horrores?
(Publicado na página 2 do Jornal Boca Maldita n° 124, RJ, setembro-outubro/2024,
do CESTRAJU – Centro Socialista de Trabalhadoras/es do Judiciário.)
Condizente com os ditames do Documento
no 319 do Banco Mundial (parte do chamado “Consenso de Washington”), a atual
Administração do TJ levou ao extremo os ditames de um presidente do tribunal de
triste memória: “Fazer mais (trabalho), com menos (funcionário). O propalado
lugar comum de que essa será a tendência natural das coisas com o avanço da
tecnologia não passa de uma mentira grotesca: o mesmo tribunal que paga até
duas gratificações para analistas TI, visando a implementação da Inteligência
Artificial e a diminuição de servidores, é a mesma corte que se apoia cada vez
mais no trabalho precarizado dos estagiários. Comenta-se inclusive que o número
de “escraviários” subirá de cinco a oito mil, ao final dessa gestão.
Ao mesmo tempo em que essa avalanche
privatista se desenvolve no TJ, a direção do SINDJUSTIÇA segue caladinha, bem
comportada, para não desagradar a quem ela serve. Silêncio cúmplice com a
privatização. Quando se manifesta, é para falar que vai entrar com ações contra
essas medidas ou para comemorar “vitórias” como a venda de direitos, as férias
e licenças prêmios, ou, quem sabe, até esperar a capitalização política de um
novo PIA (será?).
Entretanto, no país em que o
ministro bolsonarista Paulo Guedes disse que ia botar uma granada no bolso do
servidor e onde se assiste a implementação do Novo Arcabouço Fiscal do ministro
lulista Fernando Hadadd (ou seja,
mais corte nos gastos com o serviço público), muitos serventuários se iludem de
que a eleição do novo presidente do TJ poderá lhe trazer um novo horizonte,
algum ganho. A velha maneira de agir, de sempre, de achar que está protegido
perto do Poder. A História mostrou e mostra a que mesmo assim continuamos
servidores, não mais que servidores. E é assim que nossos superiores nos
enxergam.
Não custa lembrar que a última
conquista que os servidores do TJ/RJ tiveram foi o pagamento dos 24%. Mesmo assim
para isso, houve uma ação que durou mais de 22 anos, sendo que o percentual que
não foi pago de uma só vez para a grande maioria dos trabalhadores e sim
em quatro parcelas, e que teve, ainda, de quebra, uma greve de 80 dias, onde servidores foram removidos, os salários zerados etc. Enfim, não foi nenhum “Salvador da Pátria” que possibilitou isso. Por mais que alguns pensem assim. “A realidade é dura, mas é aí que se cura” já dizem os versos do samba do Zeca Pagodinho. Está na hora do servidor do TJ cair na real: não vai aparecer nenhum “Salvador da Pátria”, os cargos comissionados (outrora boia de salvação para um setor considerável) estão sendo terceirizados e a privatização está vindo a galope. Enfim, ou o servidor se mexe e começa a lutar, inclusive para construir outra direção para o sindicato, ou virará minoria absoluta. E quando se chegar a essa situação, sua voz, já tão pouco escutada, se tornará inaudível para os donos desse Poder.
(Publicado na página 1 do Jornal Boca Maldita n° 124, RJ, setembro-outubro/2024, do CESTRAJU – Centro Socialista de Trabalhadoras/es do Judiciário)