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domingo, 25 de maio de 2014

Bloco da Ceguinha muito vivo, apesar dos pesares

Na quarta-feira 06/02/13 às 18h ocorreu a primeira edição do Bloco da Ceguinha sem o apoio do Sind-justiça. O bloco foi puxado pelo então recém-fundado CESTRAJU (Centro de Estudos Socialistas dos Trabalhadores do Judiciário), que reúne majoritariamente um pessoal ligado ao MOS (Movimento de Oposição Serventuária). Mas a participação se estendeu a diversos lutadores da categoria e até de fora dela.  Na ocasião estiveram presentes, à atividade, militantes sociais diversos: companheiro da direção do SINDSCOPE (Sindcato de Professores do Colégio Pedro II), integrantes do grupo de base Inimigos do Rei (trabalhadores da Petrobrás), membro do Instituto Histórico da Baixada de Jacarepaguá, além de gente da própria categoria de servidores de judiciário, claro. Mas por que a atual direção sindical abandonou o bloco?
Lamentavelmente a diretoria que temos hoje em nosso importante Sind-justiça extinguiu oficialmente o Bloco da Ceguinha, provavelmente para não ferir “suscetibilidades” de juízes, desembargadores e supostamente “atrapalhar” negociações com a Presidência do Tribunal. Porém trabalhadoras e trabalhadores, independentes da gestão atual do sindicato, conseguiram se articular e “ressuscitar a ceguinha”
O tradicional bloco se reúne em frente ao Fórum Central do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, no centro da capital fluminense (Av. Erasmo Braga, 115). Além de confraternização, trata-se também duma forma bem humorada de protestar contra a opressão do tribunal sobre os trabalhadores.
O TJ nega uma série de direitos a seus servidores, mas dá privilégios aos montes a juízes e desembargadores: supersalários já amplamente divulgados pela mídia, muito acima do teto remuneratório estabelecido pela constituição; auxílio-refeição, apelidado auxílio-glutão etc.
O TJ contratou a empresa Locanty, acusada de corrupção, para lhe prestar serviço. Da mesma forma ele fez em relação à já conhecida Delta, que construiu vários prédios do judiciário fluminense, um dos quais tremeu à beça já em 2012, deixando servidores apavorados.
Como se vê, não faltam assuntos a serem abordados nos enredos e motivos para que o evento continue acontecendo. Assim, na quarta-feira 26 de fevereiro deste 2014, voltou a se concentrar o Bloco da Ceguinha.

O bloco – cujo nome é uma referência jocosa à deusa da justiça, retratada tradicionalmente com os olhos vendados – continuou patrocinado pelo CESTRAJU, sem apoio do sindicato. Buscou-se mais uma vez protestar de forma bem humorada contra os descalabros da “justiça” burguesa. Havia, afinal, ainda mais motivos para isso.
Os poderes executivo e legislativo ficaram na berlinda desde que manifestações de rua se intensificaram no Brasil a partir do mês de junho anterior. Mas o judiciário foi pouco lembrado nos protestos. Não se pode ignorar o fato de que este é grande legitimador dos desmandos dos políticos. É ele que autorizou: a demolição do Hospital do IASERJ, a desocupação da Aldeia Maracanã, a permanência de manifestantes atrás das grades, a exploração privada do estádio Maracanã, o corte de ponto de grevistas etc. Também é o judiciário que demora décadas pra julgar processos de regularização fundiária de favelas e ocupações urbanas, além de emitir liminares sustando decisões de manutenção de posse, para, assim, remover favelas e despejar sem-tetos.


O TJ soube ainda aproveitar o esvaziamento dos protestos e as festas do fim do ano de 2013 para aprovar um escandaloso auxílio-moradia aos seus juízes e desembargadores. Encaminhado no dia 12 de dezembro anterior, o projeto foi aprovado na ALERJ (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro) no dia 18 e sancionado pelo governador Sérgio Cabral no dia 23, tendo recebido um descabido “pedido de urgência” visando sua aprovação a toque de caixa, para evitar questionamentos do povo sobre esse “auxílio” vergonhoso (que soma cerca de R$5.000,00 – cinco mil reais – mensais para cada juiz ou desembargador, alguns dos quais já recebiam montantes que chegavam a ultrapassar 90 mil reais por mês!!!).
Não é só no Rio que esse quadro surreal se apresentava. Em Minas Gerais, por exemplo, já estava em pauta um absurdo “auxílio-livro” de R$13.000,00 (treze mil reais) para os magistrados, dentre outros privilégios. Enquanto isso o povo continua sem acesso a cultura, educação, saneamento básico, saúde pública de qualidade…
Por essas e outras são essenciais iniciativas como essa do Bloco da Ceguinha. Tal evento (que também é uma maneira de valorizar o Carnaval democrático, popular, livre, bem diferente da festa elitista hoje promovida em clubes burgueses e sambódromo) é especialmente importante por ser um protesto irreverente, uma denúncia chamativa, uma divertida e prazerosa forma de conscientização de classe.


Em 2013, o enredo se chamava “Eu de tanga, eles de toga”, uma criação coletiva assinada pela ala de compositores do bloco. Seus versos diziam:

“Alzheimer é mal dá esquecimento
Mas sou teimoso e vou lembrar todo momento
Com a Ceguinha eu boto pra quebrar
O caldeirão da bruxa eu vou chutar
Tentaram matar a Ceguinha
Não vou deixar
Se o Sind é quieto
O meu lado irrequieto incomoda o marajá
Se eles tem auxilio-glutão
A dentista tem pensão
Transparência e blá-blá-blá
Darth Vader pega a asa-Delta
Privatiza com Cabral
Pra Cyrella fez a festa
Tem até cartório pra amante
Tercerizam pra Locanty
Caixa dois de governante
Eu de tanga, eles de toga
Eu despacho, eles na ioga
Só me chamam pra ralar
Tomo esporro, eles no spa”

Como se vê, tivemos referências à falsa transparência do judiciário, ao descabido auxílio-refeição para juízes, às empresas Delta, Locanty e Cyrella que se enriquecem às custas de dinheiro público, ao assédio moral contra servidores… Todas essas críticas, que incluíram a denúncia do conluio entre o governador Sérgio Cabral e vilões todo-poderosos do Judiciário (“Darth Vader”) não passaram despercebidas. Tanto é que agora em 2014 notamos uma certa vigilância da Corregedoria Geral sobre o bloco: nada capaz de intimidar nossa animação, entretanto.
No presente ano, o enredo teve o instigante nome “O óbulo da Dona Justa virou o ósculo da Dona Bruxa”. Tal título pode significar a perda da ilusão no Judiciário: as dádivas da Dona Justiça (simbolizada pela deusa Têmis) se transformando em bruxarias contra o povo. Mas a interpretação é livre, cada um que faça a sua.

Nesta segunda edição independente do bloco, pudemos observar um pequeno aumento no número de participantes. O mais evidente, no entanto, foi o crescimento do entusiasmo dos foliões: se em 2013 já havia uma boa animação, em 2014 ela foi ainda maior – uma banda de qualidade, confete, serpentina, máscaras (que se dane a proibição governamental!), samba no pé e protestos bem-humorados ao microfone.

Já ficou definido que em 2015 nos reuniremos novamente, cheios de alegria e animação, na quarta-feira que antecede o Carnaval em frente ao Fórum Central do Tribunal de Justiça. Desde já fica todo mundo convidado. Vale ressaltar que o bloco é puxado exclusivamente por trabalhadoras e trabalhadores, sem nenhum patrocínio estatal ou empresarial. O apoio, portanto, tem que ser dado aí por você que está lendo esse texto. Venha, divulgue, nós podemos fazer a diferença.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Manifestantes fazem ato contra ditadura militar

Fonte: JB eletrônico

Rio


Ato incluiu protesto contra governador Sérgio Cabral

Jornal do BrasilCaio Lima*
Pouco mais de 100 pessoas participaram nesta segunda-feira (1) de ato contra o golpe militar de 1964, que hoje completa 49 anos. A manifestação ocorreu na porta do Cinema Odeon, na Cinelândia, em frente ao Clube Militar, mesmo local onde há exatamente um ano houve confronto entre protestantes e militares da reserva, que comemoravam o início do golpe em um almoço. Neste ano, porém, o Clube Militar estava com as portas fechadas e com um tapume verde de isolamento.

Durante o ato desta segunda (01), banners com imagens de presos, torturados e mortos da ditadura militar, como Carlos Marighella, Stuart Angel, Luiz Carlos Prestes, Dinalva Conceição Oliveira, entre outros, foram expostos.

A jornalista Hilde Angel, irmã de Stuart Angel, esteve presente na manifestação e destacou que o momento é de construir uma nova geração de patriotas.

“Agora é um momento onde a verdade começa a ser lembrada. É hora de lembrar quem nós brasileiros somos, às vésperas dos 50 anos do início da ditadura militar. O comprometimento é com o patriotismo, de formar uma nova geração de patriotas que lutam pela verdade de seu país. Até hoje a família Angel não tem o corpo do Stuart para velar, chorar e enterrar. É por isso que hoje venho de luto, de preto, para fazer desse manifesto um velório, nesse espaço mais livre e democrático do Brasil, que é a Cinelândia”, afirmou emocionada Hilde. 

O mecânico Djalma Oliveira, irmão de Dinalva Oliveira Teixeira e cunhado de Antônio Carlos Monteiro Teixeira, integrantes da Guerrilha do Araguaia, mortos em 1979, seguia a mesma linha de Hilde e disse que a luta é por um “enterro digno” aos familiares de mortos durante a ditadura.

“Desde 1979 conhecemos os fatos do Araguaia e nós, da família de Dina (como a irmã era conhecida), em relação à morte, já estamos conformados. O que não nos conformamos é não termos os corpos para realizar um enterro digno, nossa luta há mais de 30 anos”, disse Djalma Oliveira, que ainda afirmou: “a Comissão da Verdade só será plena, com um relatório justo, se obrigarem os militares a abrirem os arquivos secretos, nos mínimos detalhes”.

Respondendo processo por constrangimento ilegal, por conta de uma foto publicada na imprensa em que aparecia cuspindo em um militar durante o protesto do ano passado, o estudante Felipe Garcês não se intimidou e voltou ao local nesta segunda. Segundo ele, que está sendo processado junto com o cineasta Sílvio Tendler, continuar na luta pela abertura dos arquivos é um “dever”.
“Não quero me comparar aos mortos da ditadura militar, mas depois da veiculação dessa imagem passei a sofrer ameaças por parte de alguns militares. Fotos da minha filha de três anos, da minha mulher e do meu prédio foram divulgadas. As ameaças eu entendo como natural da luta e é só metade do que ocorreu durante a ditadura. Estar aqui presente mais uma vez é o melhor que posso fazer para que a sociedade entenda o que aconteceu nesse período da história do Brasil”, afirmou o estudante.

Apoio da sociedade civil

Um dos organizadores do ato contra a ditadura militar, Theófilo Rodrigues, sinalizou a necessidade de a Comissão da Verdade ganhar mais apoio da sociedade civil.
 “É necessário mais atividades públicas, nas ruas, que envolvam o sentimento da população em torno dos resultados dos relatórios. A criação de comissões estaduais é um passo para isso. Mas acredito que ganhar a sociedade seja o mais necessário no momento, assim os militares não conseguirão impedir que as verdades venham à tona. Além disso, temos que lutar para a comissão não ter um prazo para ser encerrada e pela criação do Museu Memória da Verdade, que seria no antigo prédio Dops”, afirmou Rodrigues.

Herança

Outro organizador do ato, Maurício Carneiro, o DJ Saddam, ressaltou a presença de hábitos dos antigos agentes da ditadura militar na atual polícia militar brasileira.
“Em todo o país a cultura repressora das polícias, de não conseguir ter capacidade de lidar com manifestações civis, está ainda presente. Existem torturas até hoje nas delegacias. Existem antigos torturadores da ditadura que hoje chefiam delegacias de polícia. A Comissão da Verdade precisa colocar em evidência todos eles e divulgar integralmente seus nomes”, destacou DJ Saddam.

Fora Marín!

Em determinado momento do ato, manifestantes pediram a demissão de José Maria Marín, atual presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). De acordo com eles, Marín ajudou os militares na morte do jornalista Vladimir Herzog.

Aldeia Maracanã

Durante o ato, manifestantes apoiadores da antiga Aldeia Maracanã também estiveram presentes, protestando contra o que eles chamam de “Ditadura do (governador Sérgio) Cabral”. Por conta de bandeiras de partidos como PCdoB e PSTU houve um início de tumulto, mas nada além de discussão verbal.

“Não concordamos com a entrada de partidos políticos em atos como esse. Eles não levam à causa para as ruas, e sim o partido. A esquerda atual quer isso: se promover nessas manifestações”, afirmou um dos protestantes pró-Aldeia Maracanã, Fabrício Silva.
A manifestação foi organizada enquanto o deputado Jair Bolsonaro (PP), distribuiu faixas de apoio à ditadura.

*Do Programa de Estágio do Jornal do Brasil

sábado, 16 de março de 2013

Governo troca investimento de dinheiro público no SUS, saúde pública, pela privada, planos de saúde, em setores que mais investiram no financiamento de campanha eleitoral!

Fonte: Jornal Brasil de Fato e Blog Contra a Privatização da Saúde

Mais expansão de planos privados, menos fortalecimento do SUS



Diferentes movimentos, pesquisadores e associações se manifestam contra a possível medida do governo federal de apoio à expansão dos planos de saúde privados para as classes C e D

Por Viviane Tavares do Rio de Janeiro (RJ)

A agenda da presidenta Dilma Rousseff no dia 26 de fevereiro não anunciava uma reunião com empresários do setor de saúde, mas a matéria do jornal Folha de S.Paulo apurou que ela se reuniu com cinco ministros de Estado, integrantes da área econômica e representantes do Bradesco, Qualicorp e Amil. A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da presidenta, que negou o compromisso, mas, mesmo com a reação provocada por diversas frentes, não se pronunciou publicamente para desmentir o encontro. O mistério sobre a reunião ainda será desvendado, mas o assunto ajudou a trazer à tona mais uma vez o crescimento do setor privado na saúde brasileira.


De acordo com a matéria, a suposta reunião seria para a análise por parte do Executivo para a ‘redução de impostos, maior financiamento para melhoria da infraestrutura hospitalar e a solução da dívida das Santas Casas’. Em troca, o governo exigiria ‘uma série de garantias para o usuário’, com o objetivo de ‘facilitar o acesso de pessoas a planos de saúde privados, com uma eventual redução de preços, além da ampliação da rede credenciada’, além de ‘forçar o setor a elevar o padrão de atendimento’, como diz a Folha de S. Paulo.


Para o professor do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) Mário Scheffer este fato não se mostrou inusitado, mas a novidademque é apresentada são os protagonistas. “Um deles é a Qualicorp – que é uma intermediadora de planos de saúdes, que cresceu muito nos últimos tempos e tem um histórico agressivo de financiamento de campanhas políticas, – na última eleição apostou para todos os lados financiando tanto a campanha da Dilma quanto do Serra e de alguns governadores. Além disso, conseguiu emplacar o presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) [ex-diretor presidente Maurício Ceschin que foi superintendente da Medial Saúde e da Qualicorp]. Outra novidade que faz a diferença é a entrada do capital estrangeiro.

Até então, o setor suplementar só existia com o nacional, mas vimos recentemente o maior negócio da saúde brasileira que foi a compra da Amil”, aponta Mario, completando: “Estes segmentos estão fazendo prospecção de outros mercados desde a reforma do Obama. E estas ações estão sendo anunciadas há algum tempo. Basta acompanhar o Valor Econômico, a revista Exame, a entrevista que o dono da Amil deu para as páginas amarelas da Veja. A intenção deste capital é ampliar massivamente o acesso a planos de baixo preço. O que vem à tona são esses dois protagonistas tentando materializar esta intenção”.

Por outro lado, o pesquisador da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz) Geandro Pinheiro analisa a postura da presidenta Dilma Rousseff neste episódio, que, segundo ele, tem o propósito de dar resposta à demanda da população por saúde, além de fortalecer um modelo de desenvolvimento pautado pelo consumo. “A saúde como um todo está sendo questionada de todos os lados, e isso foi colocado para a presidenta como uma das áreas mais críticas, portanto, ela tem que dar uma resposta para as pessoas. E ela está dando e tem um apelo popular muito forte. A reforma sanitária não é algo que esteja na mente das pessoas, se dentro da própria reforma não há univocidade, imagina para a grande população? As pessoas querem saúde. Isso é dar uma resposta com um apelo popular fortíssimo e de uma marca de governo que será marcado por ampliar acesso da população, não se importando de que forma se dá este acesso. Além disso, podemos fazer uma ligação com a estratégia de consumo para o modelo de desenvolvimento, como em qualquer outra política do governo atual, mais forte ainda nestes dois últimos anos. Podemos ver, por exemplo, o Vale Cultura, que financia revista, TV a cabo...Ou seja, está vinculando aquilo que sai como preceito de direito para uma questão vinculada ao consumo. Se analisarmos, todas as políticas estão tendo este norte: de ampliar o acesso ampliando o consumo”, analisa.

Crescimento do setor privado

Vale lembrar que os incentivos e parcerias previstos são para um setor que já está dando certo há algum tempo. Baseado em dados do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (Iess), o ano de 2012 foi mais do que satisfatório para o setor, já que a variação dos custos médico-hospitalares, ou seja, os valores pagos pelos serviços e procedimentos realizados, foi de 16,4%, quase três vezes maior do que a variação da inflação geral (IPCA) que foi de 6,1%. “A tendência de crescimento observada durante o ano de 2011 continuou no primeiro semestre de 2012, de forma que o índice atingiu o maior valor já observado desde o início da série histórica. O maior valor registrado anteriormente foi em 2009 (14,2%), logo após a crise de 2008”, aponta o estudo.

No entanto, o crescimento dos serviços ofertados deste setor não tem acompanhado a mesma escalada dos lucros. A cobertura dos planos de saúde é cada vez mais criticada pelos usuários. Como resultado disso, no dia 6 de março foi publicada no Diário Oficial uma nova medida por parte da ANS. A partir de 7 de maio, quando a norma entrou em vigor, todas as negativas a beneficiários para a realização de procedimentos médicos deverão fazer a comunicação por escrito, sempre que o beneficiário solicitar. De acordo com a assessoria de imprensa da ANS, durante o ano de 2012, a agência recebeu 75.916 reclamações de consumidores de planos de saúde. Destas, 75,7% (57.509) foram referentes a negativas de cobertura.

“Em São Paulo, por exemplo, 60% da população tem planos de saúde, mas, para os usuários, eles estão virando um tormento. Estamos dando subsídio público com a promessa de que o serviço de saúde vai melhorar, mas com a estrutura atual, eles não conseguem suportar a quantidade de pessoas que vem crescendo. A conta não está batendo e já chegamos a um colapso. Mas isso é resultado da permissividade e conivência da ANS que deixou que a expansão artificial deste mercado acontecesse. A solução apresentada agora para resolver isso é construir rede, puxadinho dos hospitais próprios, mas, para isso, as operadoras querem dinheiro do BNDES, vários tipos de isenção ...É quase um Programa de Universidade para Todos (Prouni) da saúde ou um Programa de Aceleramento do Crescimento (PAC) das operadoras”, analisa Mario.

A professora da Faculdade de Serviço Social da Uerj Maria Inês Bravo concorda que há um crescimento progressivo do número de usuários de planos de saúde e aponta outros modelos de privatização do SUS, como as Organizações Sociais (OS), as Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscips), as Fundações Públicas, a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) e Parcerias Público-Privadas (PPP) como prejudicais ao sistema de saúde pública. “Contra fatos não há argumentos: o crescimento se deu de 34,5 milhões, em 2000, para 47,8 milhões, em 2011, tendo o Brasil se tornado o 2º mercado mundial de seguros privados, perdendo apenas para os Estados Unidos da América”, lembra. E completa: Há uma entrega acelerada para a gestão do setor privado, através da expansão dos chamados novos modelos de gestão, que têm sido denunciados como formas de intensa corrupção. Através destas organizações, o fundo público se torna mais facilmente transferido para o grande capital internacional e seus sócios internos, como os grandes laboratórios de análises clínicas e clínicas de imagem privadas, a maioria parte dos grandes conglomerados financeiros”, denuncia Maria Inês.

Mário acredita que este crescimento dos planos de saúde é ainda mais grave do que os modelos de gestão mostrados até agora. “Este movimento interfere totalmente no sistema de saúde que queremos. A ampliação dos usuários de planos de saúde para ¼ da população é uma fatia imensa se comparados a outros sistemas universais, de atendimento integral. Nestes outros países que oferecem sistemas de saúde semelhantes ao SUS, o plano de saúde faz um papel suplementar de 10 a 15% no máximo. Agora aqueles onde a participação dos planos de saúde se amplia, se transformam em sistemas duplicativos, e isso resulta nos piores sistemas, nos mais caros, nos mais ineficientes e que mais se afastam da equidade e integralidade”, aponta.

Manifestações contra o desmonte do SUS

Entidades alertam que o resultado é a falta de profissionais, a ineficiência da rede básica de serviços e o atendimento de baixa qualidade à população

Em menos de uma semana, diversos segmentos da saúde se manifestaram contra as medidas citadas pela reportagem da Folha de S.Paulo. Em nota, a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) pronunciou sua posição contrária a este movimento de ampliação do sistema particular de saúde: “É uma proposta inconstitucional que significaria mais um golpe contra o sistema público brasileiro. E o pior: feita por quem deveria defender a Constituição e, por conseguinte, o acesso universal de todos os brasileiros a um sistema de saúde público igualitário.

Além de inconstitucional, a proposta discutida é uma extorsão. Na prática, é uma escandalosa transferência de recursos públicos para o setor privado. Aliás, recursos que já faltam, e muito, ao SUS. O SUS é um sistema não consolidado, pois o gasto público com saúde é muito baixo para um sistema de cobertura universal e atendimento integral. O resultado é a falta de profissionais, a ineficiência da rede básica de serviços e o atendimento de baixa qualidade à população”.


A Frente Nacional contra a Privatização da Saúde também se pronunciou na tarde de ontem em relação ao ocorrido com um manifesto publicado em seu site. “Tal política não responde aos interesses da maioria da nação: sistemas de saúde controlados pelo mercado são caros, deixam de fora idosos, pobres e doentes, são burocratizados e desumanizados, pois as pessoas são tratadas como mercadorias. Se o SUS hoje não responde aos anseios populares por uma saúde universal de qualidade de acordo com a Constituição de 1988 não é pelas deficiências do modelo – há modelos de sistemas universais como Reino Unido e Cuba, amplamente bem considerados pela população e com indicadores de saúde melhores dos que o sistema de mercado da nação mais rica do planeta, os EUA – mas porque os governos não alocam recursos suficientes, não cumprem a legislação e porque a democracia, expressa no controle da sociedade sobre o sistema de saúde, não é respeitada”, diz o manifesto.

Outros pesquisadores como Ligia Bahia, Luis Eugenio Portela e Mário Scheffer expuseram sua opinião em relação ao caso com a publicação do artigo ‘Dilma vai acabar com o SUS’ publicado no dia 5 de março, também na Folha de S.Paulo. No artigo, estes pesquisadores relembram que, além de contribuir com impostos, os cidadãos e empregadores “serão convocados a pagar novamente por um serviço ruim, que julgam melhor que o oferecido pela rede pública, a que todos têm direito. Em nome da limitada capacidade do SUS, o que se propõe é transferir recursos públicos para fundos de investimentos privados”.

(Viviane Tavares – Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio /Fiocruz)


*Publicado na edição impressa do Jornal Brasil de Fato

quarta-feira, 13 de março de 2013

O RIO É NOSSO E NÃO DOS EMPRESÁRIOS!!!!!! CHEGA DE VENDER NOSSA CIDADE PARA O CAPITAL!!!!



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Nesta segunda-feira, dia 11, aconteceu a reunião plenária decisiva de construção do ato A Cidade É Nossa!, contra a mercantilização da cidade. O ato será no sábado dia 16, e a caminhada terminará no Maracanã, grande exemplo do processo de privatização dos bens e serviços públicos do Rio. Participe e ajude a organizar.

A plenária foi  realizada no SEPE: Rua Evaristo da Veiga 55, 7º andar - SEGUNDA, DIA 11, às 18h30. Qualquer informação a mais, dirija-se a esta entidade.


segunda-feira, 11 de março de 2013

Deu no Jornal O Globo, de 07/03/2013, na coluna do Anselmo Gois:



                  Hablas español?

"Lembra o espanhol Joseba Gotzón Vizián, acusado de pertencer ao ETA, o grupo terrorista basco, preso no Rio há algumas semanas?

Além de ter dado aulas para o pessoal  da Shell, também ensinou espanhol, acredite, para promotores do Rio, juízes do TJ e filhos de magistrados."