SEJA BEM-VINDO AO NOSSO BLOGUE!

ATENÇÃO! As matérias aqui publicadas só poderão ser reproduzidas fazendo constar o endereço eletrônico deste blogue. Os textos assinados não necessariamente refletem a opinião do CESTRAJU. " Há pessoas que lutam um dia e são boas. Há outras que lutam um ano e são melhores. Mas há as que lutam toda a vida e são imprescindíveis." "Tudo bem em hesitar...se depois você for em frente ...." (Bertold Brecht) "O melhor da vida é que podemos mudá-la" ( anônimo ) Junte-se a nós! Venha mudá-la para melhor!

sábado, 12 de novembro de 2011

Presidência do CNJ divulga andamento de processos contra juízes


12/11/2011 - 00h00

Já estão disponíveis no portal do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) as informações sobre o andamento de processos administrativos contra magistrados, em tramitação nas corregedorias gerais dos tribunais de justiça dos estado. Segundo o ministro Cezar Peluso, presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal (STF), a partir de agora a população poderá acompanhar o trabalho das corregedorias na apuração de eventuais faltas cometidas por integrantes do Poder Judiciário. A medida, segundo ele, dará maior transparência aos processos disciplinares contra juízes e desembargadores em todos os tribunais.
Por enquanto, o Sistema de Acompanhamento de Processos Disciplinares contra Magistrados está sendo alimentado apenas pelos tribunais estaduais. A ideia, porém, é que a Justiça Federal e a Justiça do Trabalho também participem do sistema, colocando à disposição do público informações de processos disciplinares em seus respectivos tribunais. Os dados dos processos disciplinares – número e tipo do processo, motivo, andamento – podem ser acessados no site no CNJ, no endereço http://www.cnj.jus.br/presidencia

A decisão de divulgar as informações foi tomada pelo presidente Cezar Peluso em outubro, durante reunião com representantes do Colégio de Corregedores dos Tribunais de Justiça. Na ocasião, os  corregedores apresentaram ao ministro dados atualizados sobre os processos em andamento e sobre as punições aplicadas a membros da magistratura nos últimos dois anos. As informações, avalia o ministro, demonstram que as corregedorias estaduais estão cumprindo seu papel, apurando e punindo eventuais faltas de magistrados.

O Sistema de Acompanhamento, desenvolvido pelo CNJ, funciona online, ou seja, é atualizado a todo momento. No meio da tarde desta sexta-feira (11/11), o sistema apontava a existência de 693 processos e sindicâncias em andamento nas corregedorias de Justiça dos estados. Entretanto, alguns tribunais ainda estavam incluindo novas informações, o que alterava o número a todo  momento. No quadro apresentado na sexta-feira, o Tribunal de Justiça do Estado do Piauí aparecia com o maior número: 211 processos, seguido por São Paulo, com 134. Em terceiro lugar estava o Amazonas, com 59 processos.

Gilson Luiz Euzébio
Agência CNJ de Notícias

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Processos de corrupção, improbidade e lavagem de dinheiro movimentam Judiciário

Matéria do CNJ notícias:


11/11/2011 - 00h00

Mais de 16 mil processos tramitaram em 2010 na Justiça Federal e tribunais superiores para apurar crimes de corrupção, improbidade administrativa e lavagem de dinheiro. O levantamento, feito pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e Supremo Tribunal Federal (STF), inclui também outros milhares de ações dos tribunais estaduais pelos mesmos crimes. Os dados foram repassados ao Grupo de Revisão da Implementação da Convenção das Nações Unidas contra Corrupção (Uncac).
De acordo com o levantamento, que está disponível na página do CNJ (http://www.cnj.jus.br/programas-de-a-a-z/enccla/resultado-dos-questionarios-lavagem-de-dinheiro-corrupcao-e-improbidade-administrativa), tramitaram no ano passado 16.283 ações e inquéritos na justiça federal e tribunais superiores sobre corrupção, improbidade administrativa e lavagem de dinheiro. Foram 3.689 processos no primeiro grau e 7.013 no segundo grau da Justiça Federal. Durante o ano, foram julgados 5.878 processos.

Processos - O Superior Tribunal de Justiça (STJ) julgou 626 casos dos 889 em tramitação. No período, o STJ recebeu 611 novas ações. Já o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou 88 dos 248 processos em tramitação. Nos primeiros oito meses deste ano, o STF julgou mais 108 ações, superando o resultado de todo o ano de 2010.

A improbidade administrativa é responsável pela maioria dos processos. Foram 7.607 ações por improbidade. Nos tribunais estaduais, os casos de improbidade administrativa ficaram em torno de 10 mil, número muito superior ao de processos por corrupção e lavagem de dinheiro, de acordo com dados fornecidos pelos próprios tribunais.

Gilson Luiz Euzébio
Agência CNJ de Notícias

Para cairmos na real, sem farsa de royalties e pré sal, e basta de Halloween, o negócio é festa brega de raiz, viva a cultura rica de nosso país!

CENTRO CULTURAL OCTAVIO BRANDÃO - www.centroculturaloctaviobrandao.blogspot.com

Convida para o seu tradicional "Baile Brega"

É neste sábado, 12/11, a partir das 16 horas.


Com Jonas Ribas ao vivo, interpretando os grandes sucessos bregas.


Traje: Esporte Brega


Colaboração cultural: R$ 5,00


CCOB: Rua Miguel Ângelo, 120, próximo ao Metrô de Maria da Graça.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Américo Gomes, advogado, analista internacional do ILAESE, um dos autores do livro “Uma proposta classista para a reestatização da Petrobrás”

Cabral e Garotinho se unem por royalties 
• De forma novamente grotesca, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), busca criar uma demonstração artificial de regionalismo para convencer o Governo Federal a dar mais dinheiro dos royalties para o estado do Rio.

Nesta luta pelo dinheiro público, Cabral conta com o apoio de seu arqui-inimigo, o ex-governador Anthony Garotinho (PR), seu arquialiado Eduardo Paes (PMDB), e mais um sem número de prefeitos do estado e membros da bancada do Rio no Congresso, incluindo o senador Lindberg Farias (PT).

Garotinho tem base eleitoral em Campos, que seria o município mais afetado pela nova distribuição e que é administrado por sua esposa, Rosinha. Juntos, pretendem realizar na quinta-feira, 10 de novembro, uma manifestação de 100 mil pessoas no centro do Rio.

Bancada pelo dinheiro público e o aparato do estado, com direito a ponto facultativo aos servidores do estado e prefeitura e requisição de trabalhadores das obras do PAC. Com ônibus, trem e metrô de graça para levar todo mundo. Estão previstas caravanas vindas do interior, obviamente, também com passagens de graça e “ajuda de custo” para o lanche. A manifestação está até sendo convocada por faixas e por propaganda na TV, contra a "injustiça" com o Rio de Janeiro.

Além disso, o estado do Rio prepara recurso ao Supremo Tribunal Federal para questionar o novo marco regulatório tão logo ele seja aprovado pela Câmara e sancionado pela presidente. O cenário é realmente insólito. Pois do outro lado, defendendo o novo marco regulatório, está todo o governo da Frente Popular, o PT, Lula, a presidente Dilma, Haroldo Lima, o PCdoB, e a Agência Nacional de Petróleo (ANP) e o Ibsen Pinheiro (PMDB-RS).

Um ativista desavisado poderia ficar em dúvida sobre de que lado estar, e tentando descobrir quem defende realmente os interesses dos trabalhadores e da população mais carente. Mas tudo não passa de uma grande farsa.

Entregaram a fartura na mesa do imperialismo

O novo marco regulatório mantém a entrega de nosso petróleo às multinacionais, agora em regime de partilha. Não existe praticamente mudança entre este regime e o de concessão. Mas, independente disso, 29% do Pré-Sal já foi leiloado, a sua área mais rica, que contém o complexo Pão de Açúcar com os blocos de Azulão, Bem-Ti-Vi, Carioca e Caramba.

Para se ter uma idéia do tamanho da entrega, o campo de Tupi, localizado em Santos, pode chegar até 12 bilhões de barris. Com o barril de petróleo cotado a 100 dólares, significa uma renda petroleira de 1,2 trilhões dólares.

No bloco Pão de Açúcar o volume de petróleo estimado é de pelo menos 5 vezes mais que Tupi, isso é, cerca de 60 bilhões de barris, cerca de 60 trilhões de dólares. Tudo isso já foi abocanhado pela ExxonMobil, BG, Chevron, Shell, Galp, Repsol e Hess.

As migalhas dos royalties
Os deputados aprovaram o aumento do percentual dos royalties para 15% nas áreas do Pré-Sal. A União fica com quase 40%, cerca de 52% ficam nos locais onde há a extração, divididos entre estado e município. O restante, quase 8%, fica entre os demais estados e municípios.

Então vejamos que, no epicentro da polêmica, estão recursos que somaram 5 bilhões de dólares no ano passado. Quer dizer, estão entregando quase 8 trilhões de dólares para as multinacionais imperialistas e fazem um escândalo para tentar repartir 5 bilhões entre estados e municípios.

Se o monopólio estatal do petróleo derrubado por FHC fosse retomado, e a Petrobrás fosse totalmente estatizada, 100%, toda esta renda petroleira ficaria em nosso país. Com isso poderíamos investir em construção de casas populares com saneamento, educação e saúde. O que transporte coletivo poderia ficar mais barato, pois a gasolina e o diesel seriam vendidos a um preço muito mais baixo e os alimentos, transportados em caminhões e aviões por todo pais seriam vendidos a um preço menor para a população mais carente.

Querem mais dinheiro para a corrupção

Em 2008 a União ficou com algo em torno de R$ 10 bilhões em royalties, mas a maioria deste dinheiro foi destinados ao pagamento dos juros e contenção do déficit primário. O estado do Rio de Janeiro recebe cerca de R$ 7 bilhões em royalties por ano. E o município de Campos dos Goytacazes, no norte fluminense, R$ 400 milhões anuais.

A população carente destes municípios se pergunta: aonde foi este dinheiro???

Ele não se reverte em benefício para a população que sofre com serviços públicos precários, vejam o estado do atendimento da saúde no estado do Rio, sem falar nas péssimas condições de educação e transportes. Este dinheiro é usado para compra de políticos, depositado em contas na Suíça e para dar lucro para as empreiteiras que tocam as obras do PAC.

As organizações populares, os sindicatos, os partidos da classe trabalhadora e suas associações devem exigir o controle de todos os recursos do Estado. Deliberando e fiscalizando sobre sua utilização. A partir daí poderemos decidir se as cidades produtoras poderão ou não receber recursos extras, e quais realmente sofrem impacto social e ambiental devido a esta produção.

Monopólio da produção e Petrobrás 100% estatal

Queremos o monopólio da produção de petróleo exercido unicamente por uma Petrobrás 100% estatal, sob controle dos trabalhadores e dos movimentos sociais, que possam desenvolver uma administração estratégica das reservas, direcionando-a para a satisfação das necessidades da população nas áreas mais carentes como saúde, educação e desenvolvimento agrário.

Que sirva também para diminuir as emissões de gases poluentes e desenvolva a pesquisa em energias limpas alternativas.

Exigimos o fim dos leilões e a retomada das reservas leiloadas sem indenização às multinacionais que já ganharam demais.

Queremos a extinção da Agência Nacional do Petróleo e o fim do Conselho Nacional de Política Energética; estamos contra a criação da PetroSal.

Para isso propomos a realização de uma Jornada de Lutas pela Soberania Nacional, com atos, greves e manifestações. E a realização de Plebiscito Nacional sobre este tema.


O que são royalties?

Royalty ou royaltie é uma palavra de origem inglesa derivada da palavra "royal" que significa aquilo que pertence ao Rei. Seu plural é royalties.

Na antiguidade, royalties eram os valores pagos ao rei, como compensação pela extração de recursos naturais existentes em suas terras, como madeira e água, ou ainda pelo uso de bens de propriedade do rei, como pontes ou moinhos.

Na atualidade, royaltie é o termo utilizado para designar a importância paga ao detentor ou proprietário de um recurso natural ou produto. Os royalties pagos ao governo, por exemplo, são relativos à extração de recursos naturais No caso do petróleo e do gás, o royaltie trata-se da compensação financeira paga ao proprietário da terra ou área em que ocorre a extração de petróleo ou gás natural.


Américo Gomes, advogado, analista internacional do ILAESE, um dos autores do livro “Uma proposta classista para a reestatização a Petrobrás”

ROYALTIES: O destino dos recursos e o uso político-eleitoral da questão; maio/2010, por Thiago Marques, consultor do FPO - RJ

MATÉRIA RETIRADA DO FORUM BRASIL DO ORÇAMENTO

O destino dos recursos e o uso político-eleitoral da questão

O FPO-RJ pesquisou o posicionamento do Governo do Estado do Rio de Janeiro através da mídia e buscou dados no Boletim de Transparência Fiscal. Com o intuito de alargar o debate, também foi aberto o espaço para o contraditório na opinião de dois economistas consultores do Fórum, Thiago Marques (da assessoria do mandato do deputado Marcelo Freixo do PSOL) e Renato Elman (assesor do deputado Alessandro Molon do PT). Estes economistas foram ouvidos devido ao domínio do tema.

Ressalte-se que, independentemente da postura política dos dois economistas em relação ao Governo Cabral, não há divergência entre as três análises em se repudiar a Emenda Ibsen Pinheiro. Entretanto, a discussão vai além de uma perda de receita e envereda para uma reflexão a respeito de três questionamentos: Qual a razão destes pagamentos? Quem deve receber estes recursos? De que maneira eles devem ser utilizados?

Por ironia do destino, os findos recursos naturais (recursos dos royalties) poderão se esgotar para o Estado do Rio de Janeiro, não pela escassez do petróleo, mas sim por uma emenda à Constituição.

No dia 17 de março deste ano um passageiro perguntou para o cobrador porque o trânsito estava parado. O cobrador respondeu sem pestanejar: “É uma manifestação porque querem tirar as Olimpíadas do Rio de Janeiro”.

A resposta do cobrador traduz o forte e comovente apelo governamental — todos contra a covardia – numa tentativa de impedir mudanças da legislação dos royalties. A mobilização sensibilizou a população do Estado do Rio de Janeiro. Pessoas que nunca tinham ouvido falar do assunto passaram a defender incondicionalmente os royalties.
Na administração pública, a perda de qualquer receita provocará distúrbios na execução do orçamento, em especial nas despesas, e prejudicará a execução dos serviços públicos. No Estado do Rio a perda acarretará o fim das Olimpíadas 2016 ou a redução dos investimentos?
O orçamento é o caminho para se analisar como os royalties são utilizados. De 1995 até 2008 foram arrecadados mais de R$ 38 bilhões em valores constantes.
TABELA 1: Receitas Arrecadadas X Royalties

Receitas Arrecadadas (A)
Royalties (B)  B/A%
B/A%
2009
44.819.009.212
4.886.762.654 -11%
11%
2008
43.016.662.960
6.719.758.925 -16%
16%
2007
36.483.518.048
4.363.925.373 -12%
12%
2006
34.141.376.529
5.102.407.733 -15%
15%
Fonte: SIG/SIAFEM
Como os recursos são aplicados?
Sobre a aplicação dos royalties, a legislação federal versa: “os recursos não devem ser utilizados para pagamento do quadro permanente de pessoal e de dívidas do ente (artigo 8º da Lei nº 7.990/89), mas abre brecha ao excetuar para dívidas com a União e também por permitir a capitalização de fundos de previdência” (Lei Federal nº 10.195/01[1]). A tabela 2 detalha a arrecadação em 2008.
TABELA 2: Arrecadação e Aplicação dos Royalties em 2008
Arrecadação
Valor
%
Cota-Parte da Compensação Financeira dos Royalties pela Produção do Petróleo - Até 5%
984.135
14,6%
Cota-Parte Compensação Financeira dos Royalties pela Produção do Petróleo Transferida aos Municípios
328.045
4,9%
Royalties pela Produção do Petróleo - Excedente a 5%
950.594
14,1%
Cota-Parte Participação Especial Exploração do Petróleo e Gás Natural - Lei nº 9.478/97
4.454.354
66,3%
Cota-Parte do Fundo Especial do Petróleo - FEP
2.631
0,0%
TOTAL
6.719.759
100,0%
Aplicação


Ressarcimento à União pela antecipação de Royalties
1.704.190
25,4%
Transferências a Municípios (repartição dos Royalties)
328.045
4,9%
Obrigações tributárias e contributivas
63.917
1,0%
Despesas com o FECAM
321.821
4,8%
Transferência ao RIOPREVIDÊNCIA (capitalização)
4.301.548
64,0%
TOTAL
6.719.521
100,0%
Fonte: Relatório de Gestão de Contas de 2008 do Tribunal de Contas do Estado-RJ.

As exceções da legislação federal permitiram que aproximadamente 90% da arrecadação no Rio de Janeiro fossem utilizados para pagamento de dívidas e previdência. As transferências aos municípios e para o Fundo Estadual de Controle Ambiental (FECAM) ficaram aproximadamente em 5% cada, sobrando 1% para obrigações tributárias e contributivas.
Assim, afirmar que a perda dos royalties provocará o cancelamento da realização dos Jogos Olímpicos de 2016 e a queda dos investimentos não procede, pois são as aposentadorias que estão em perigo. Tão legítima quanto à luta pela permanência dos royalties é o esclarecimento e a transparência de como tais recursos são e devem ser utilizados pelos governos envolvidos.
Há de se discutir a necessidade da criação de instrumentos para garantir o retorno dos royalties para a sociedade, por meio do investimento no meio ambiente, na produção de energia limpa e renovável, na saúde, na educação, habitação e agricultura familiar sustentável. Mas, além de se lutar por um destino justo para os royalties, precisamos nos mobilizar para democratizar o sistema de controle da aplicação desses recursos tanto pelo governo estadual quanto pelos municípios. Não podemos continuar convivendo com cidades cada vez mais pobres e de prefeitos cada vez mais ricos.

Posição do Governo Sergio Cabral

(compilação de informações publicadas na mídia e no Boletim de Transparência Fiscal)
O governo estadual já expressou, em diversos comunicados e pronunciamentos, o seu posicionamento contrário frente à Emenda Ibsen Pinheiro e às críticas quanto ao seu uso pelos argumentos a seguir expostos.
A citada Emenda acarretaria numa perda anual estimada de R$ 7 bilhões, incluindo participação especial e royalties, dos quais cerca de 70% são destinados aos cofres do Governo Estadual, o que comprometeria de forma significativa seu orçamento.

Em 2009 estes recursos financiaram 10,19% das despesas do Estado, alocados da seguinte forma:
·                    49,4% no Rio Previdência, para a capitalização do Fundo de Previdência do Estado do Rio e consequente pagamento de inativos;

·                    39,7% com o pagamento da dívida com a União, referente à antecipação de recursos de royalties;
·                    5,6% foram destinados ao FECAM e;
·                    5,3% transferidos aos municípios.

Pelos números governamentais, pode-se verificar que em 2009 permanece a divisão na aplicação de recursos de 2008, com exceção do aumento da destinação para pagamento da Dívida e diminuição da despesa previdenciária.
Contudo, essa alocação de metade dos recursos no Rio Previdência, apesar de legalmente baseada, é passível de inúmeras críticas, pois se trata de recursos que são finitos custeando despesas correntes cujo dispêndio tem previsão de tempo indeterminado. 

Ocorre, no entanto, que os recursos de royalties e participações especiais não podem ser utilizados para qualquer fim. Os mesmos devem ser aplicados em despesas obrigatórias (dívida e transferências) e em despesas de capital (investimentos), podendo ainda ser utilizado para capitalização de fundos previdenciários.
Desta forma, os críticos à capitalização do Rio Previdência afirmam que estes recursos deveriam ser utilizados para investimentos que gerassem crescimento econômico e, consequentemente, novas fontes de arrecadação para o Estado.

O contra-argumento a essa crítica se baseia na seguinte hipótese: se o governo estadual não financiasse as despesas previdenciárias com recursos de royalties, o teria que fazer com recursos diretamente arrecadados. Com isso, tudo que hoje é aplicado na capitalização do fundo de previdência seria destinado aos investimentos. Consequentemente, os recursos que hoje cobrem as despesas de custeio seriam destinados à previdência, dado que as despesas de pessoal e as com limites constitucionais não poderiam sofrer reduções.
Tal fato resultaria na contração das despesas de custeio restantes, inclusive as relacionadas com Segurança Pública, Transportes e Assistência Social, dentre outras igualmente essenciais para garantir o bem estar da população e não poderiam ser financiadas com recursos de royalties.
Além da questão da destinação dos recursos de royalties, é necessário refletir sobre a particularidade da arrecadação de ICMS no Estado do Rio de Janeiro. Por uma exceção consignada na Constituição Federal, a incidência no setor de energia é cobrada no destino e não na origem, ou seja, por mais que essas atividades apresentem crescimento, isto não gera impacto direto na arrecadação do Estado. Aliás, os royalties também foram considerados como uma espécie de compensação por esse desvio da regra geral.
Enfim, à luz da discussão da Emenda Ibsen Pinheiro, urge o debate de um novo pacto federativo no que concerne à gestão fiscal.


[1] A Lei estabeleceu medidas de estímulo e apoio à reestruturação e ao ajuste fiscal dos Estados