(Por: Winter Bastos)
Agora em maio de 2024, a coordenação geral do Sindjustiça assina uma "Nota de Repúdio" que reclama dum texto da AMAERJ elogioso à permissão de entrada de mais extraquadros para fazer o trabalho do servidor.
Para quem não sabe da grave situação, vale explicar: foi aprovada proposta da PRESIDÊNCIA DO TJ, que transforma os cargos de 1º e 2º secretário em DAI 6 (R$ 6.080,49) e 3º e 4º em CAI-4 (R$ 4.904,36). Assim, tornou-se possível ocupar tais cargos com pessoas fora do quadro.
Mas, curiosamente, a nota do Sindjustiça "repudia" o texto da AMAERJ, mas não critica a política da Presidência do Tribunal de Justiça, que efetivamente desrespeita o concurso público e não começou agora.
É fato que a Administração do TJ-RJ já vem desrespeitando concursos públicos há muuuuuito tempo, sob silêncio conivente da coordenação geral do Sindjustiça. Podemos nos lembrar, por exemplo, da criação do Residente Jurídico, que não foi combatida pela direção do sindicato.
Ser cúmplice da Administração do TJ-RJ e só "repudiar" textinhos da AMAERJ é, no mínimo, hipocrisia.
A tarefa de qualquer sindicato digno desse nome é ajudar na efetiva organização da categoria para a luta real contra as opressões que sofre. Não é com "notinhas de repúdio" que vai se reverter uma situação. Também não é com a aquisição de pousadas em regiões praieiras (como feito pela atual direção do Sindjustiça) que vai se criar uma estrutura de luta contra situações de opressão a que a categoria é submetida.
Em vez de dar palco para a Presidência do Tribunal de Justiça se promover em inauguração de nova sala no Sindjustiça, ou convidar o Presidente do TJ a fazer a abertura do Congresso da Categoria Serventuária, ou convidá-lo para entrevista num Podcast criado e mantido com dinheiro do servidor, a entidade sindical deveria promover debates NA CATEGORIA e incentivá-la à luta e não à bajulação.
Já ao término do mandato do presidente anterior do TJ, o desembargador Henrique Carlos de Andrade Figueira, a categoria havia sido incentivada a gravar vídeos o enaltecendo. Será que não seria melhor incentivar a categoria a se valorizar, conhecer a história das lutas da categoria e da classe trabalhadora como um todo? A ter uma postura crítica, combativa e reflexiva sobre a realidade, e a acreditar na própria força?
O resultado da escolha por uma postura subserviente às administrações do TJ está aí. E não vai ser revertida com notinhas de repúdio.




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