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sábado, 7 de setembro de 2024

Obituário

 

Foi-se em 19 de abril, o amigo Thich Cao, vítima de um AVC. Ele sofria há anos de insuficiência renal. Mas, sempre procurava levar no bom humor todo o perrengue que passava no tratamento e na expectativa de um transplante de rim.

Ex-funcionário do SINDJUSTIÇA, onde trabalhou por 8 anos, foi injustamente demitido em final de 2011. Lutamos por uma assembleia extraordinária para reverter essa e outras demissões, mas o todo poderoso dono da entidade não recuou um milímetro.

Formado em Letras, Thich Cao era professor, militante do PCB, amante dos animais e de futebol, botafoguense, sendo o seu principal hobby colecionar camisas de times. E era gentil, educado e fraterno. Vai em paz, amigo!!! Fica aqui a nossa homenagem a sua pessoa.

(Nota de pesar publicada no Jornal Boca Maldita nº 121, maio/2024)

SICOOB/COOPJUSTIÇA: não foi agora que Elle virou banqueiro!

Em eleições ocorridas, em março último, no SICOOB/COOPJUSTIÇA, o grupo que controlava a entidade desde a fundação da cooperativa, foi finalmente derrotado pela oposição, chapa 2. Entre os integrantes da chapa vencedora, como conselheira, a companheira oficial de justiça Edma Menezes de Castro, presença constante nas lutas da categoria.

A nota de destaque desse processo foi que o todo poderoso do SINDJUSTIÇA se candidatou como parte da Chapa derrotada, com o intuito de voos mais longos no mercado financeiro. Frustrado com o resultado, pois considerava a fatura liquidada, contam que, após o resultado, seu humor era péssimo, destratando todo mundo. Esse informativo nem é envolvido com o SICOOB/COOPJUSTIÇA, mas temos que admitir: como foi bom e gostoso ver a tristeza do pelego!

(Publicado no Jornal Boca Maldita nº 121, maio/2024, RJ)


Esse lava o rosto com óleo de peroba!


 

Na Corte paulista, o gestor de plantão da Administração do TJ/SP, que ganhou R$ 88 mil líquidos em fevereiro de 2024, defendeu a proposta do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, que turbina os salários de magistrados e promotores. Essa proposta acarretará um aumento de 5% a cada cinco anos nos salários de juízes e promotores. A proposta, além de ser inconstitucional, poderá ter um impacto de R$ 81,6 bilhões aos cofres públicos entre 2024 até 2026. 

Nessa hora, para mais privilégios para superprivilegiados, não se vê a “grita” da grande imprensa burguesa como vemos contra a greve dos trabalhadores da educação federal. E nem se fala em déficit zero, Novo Arcabouço Fiscal, tudo “história do Boi Tatá” do atual governo federal, para justificar a continuidade do pagamento da imoral dívida pública aos bancos, como também fazia o golpista e fascista Bolsonaro.

 O pior é que além de saber disso, é ler a justificativa do “Toga preta” paulista, na maior cara de pau: Nós não podemos comparar o salário de um magistrado com um salário de um trabalhador desqualificado. […] É a mesma coisa que comparar um jogador de futebol que recebe bilhões, com um operário de fábrica”. É desse jeito, como os “craques” Daniel Alves e Robinho fizeram, que se faz mais um estupro em cima do chamado “trabalhador desqualificado”, aqueles injustamente desrespeitados, mas que, com o seu suor, produzem a riqueza desse país, para que somente um punhado de privilegiados usufruam da mesma, nababescamente.

(Publicado no Jornal Boca Maldita nº 121, maio/2024, RJ)

O PIA não pia!

Anunciado desde o ano passado e esperado com grande expectativa por muitos servidores, não será dessa vez que virá o Plano de Incentivo à Aposentadoria (PIA). Falava-se até em um salário por ano trabalhado, o que fez muitos servidores fazerem as contas, achando que iam fazer um bom pé de meia, para, assim, adiarem a tão sonhada aposentadoria.

 Mas, a mesma Administração do TJ/RJ não é boba! Ela, apesar de querer ver pelas costas os trabalhadores concursados, sabe que existem no mínimo 2.000 servidores nessas condições, podendo chegar até 3.500 servidores. Se sair o PIA, como ficará o serviço dentro do TJ/RJ? Ora, ora, ora, os “togas pretas” vendem um discurso de que não existe problema de pessoal, mas sabem mais do que ninguém que essa carência é gritante.

Enfim, até para passar o trabalho para a mão de obra privatizada que eles pretendem colocar no nosso lugar, eles precisam dos atuais servidores. Aquela velha história de sugar a laranja para depois jogar o bagaço fora, que já conhecemos de muito tempo. Agora a Administração e o seu preposto, o sindicato, falam em um Plano de Incentivo à Aposentadoria para o final do ano. Será mesmo que o PIA virou PIAda?


 (Publicado no Jornal Boca Maldita nº 121, maio/2024, RJ)

Concordamos: é problema mesmo de gestão, do gestor maior

Existem mais de 1.600 cargos vagos no TJ/RJ. Em março e abril, os concursados de 2021 fizeram várias manifestações no Fórum Central, reivindicando a sua convocação. Porém, o concurso não foi prorrogado. Indagado o porquê de não terem sido chamados os concursados, a Administração do TJ/RJ disse que a carência reclamada nas serventias é “problema de gestão”. Ou seja, não tem carência de pessoal, o problema passa pelos gestores das serventias, que não aproveitam bem a mão de obra disponível.

 Na mesma oportunidade, o presidente do TJ/RJ disse que com a Inteligência Artificial (IA) estará colocado em perspectiva de que não haverá mais servidores. O curioso é que enquanto a Administração nega a convocação de novos concursados, implementa a terceirização e privatização da mão de obra, não com os estagiários de Direito muito mal remunerados, mas com o chamado residente jurídico, que ingressará ganhando quase o salário de ingresso de um técnico.

Os gestores de plantão vendem a falácia de que a IA prescindirá do trabalho humano. Tudo conversa fiada! Na verdade, combinado ao avanço tecnológico virá um aumento da exploração do trabalho, intensificando-se a produtividade dos servidores que sobraram (a chamada polivalência, um servidor faz a função de três) e estendendo as jornadas de trabalho, ora dos trabalhadores presenciais, ora dos trabalhadores à distância.

 


Além disso, a Administração do TJ-RJ segue com os expedientes extras, como o GEAP-C, o abono permanência para os servidores em condições de se aposentar (vulgo pé na cova), as compras de tempos livres dos servidores (férias e licenças prêmio) e a tal da recém-criada “Força-Tarefa”. Sinal de que precisa urgentemente de pessoal, ao contrário do que ela própria afirma. Uma verdade escancarada que os mandatários desse Poder e os engravatados que se venderam para o lado escuro da força tentam negar na cara dura.

 Dentro desse quadro, a categoria adoece: doenças cardíacas, psicológicas, câncer... Por que o TJ /RJ e o Departamento Médico desse tribunal não divulgam um estudo sobre o adoecimento dos servidores? Respondemos: porque estará provado que esse adoecimento é diretamente relacionado às atuais condições de sobrecarga de trabalho.

  Soma-se a isso, o silêncio da entidade, que vive no mundo cor de rosa de Barbie, vendendo “conquistas” (em troca de direitos) e voltada para aquisições milionárias de sedes praieira (Rio das Ostras) e campestre (em Niterói), com o apoio amplo da maioria da categoria, que bate palma para esse discurso enganoso. E agora, comenta-se, que a direção sindical, a exemplo do que fez em 2022, proporá a Administração a extinção desses 1600 cargos vagos, para que os servidores tenham um reajuste salarial de 12,3% em 2025. Mais uma barganha, que trará uma conta bem salgada, mais à frente.

 Pois, resta a pergunta, que temos colocado, repetidamente, nos nossos materiais: com o gradual extermínio da categoria (cada vez mais acelerado nessa perspectiva) e que foi confirmado em vídeo pelo gestor de plantão da Administração do TJ/RJ, quem pagará a aposentadoria dos servidores aposentados e dos que pretendem se aposentar? Com a diminuição dos servidores, diminui-se a arrecadação para o fundo de pensão público, quebra-se a solidariedade, pilar de sustentação do mesmo.

Um exemplo de como essa situação está colocada no horizonte para o RIOPREVIDÊNCIA, é a atual situação do fundo de previdência público dos servidores municipais do Rio de Janeiro, o PREVI-RIO, que apontou um déficit atuarial em 2022 de 35 bilhões, pela diminuição da arrecadação. É preciso falar mais do risco que estamos correndo?

(Publicado no Jornal Boca Maldita nº 121 - RJ, maio/2024, informativo do CESTRAJU, Centro Socialista de Trabalhadores do Judiciário)