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sábado, 12 de janeiro de 2013
GOVERNADOR SÉRGIO CABRAL E PREFEITO EDUARDO PAES COLOCAM BATALHÃO DE CHOQUE PARA DESOCUPAREM A ALDEIA MARACANÃ JÁ NESTE SÁBADO, DIA 12/01/13!
Homens do Batalhão
de Choque chegaram na manhã deste sábado às imediações da Aldeia
Maracanã, onde fica o antigo Museu do Índio, que o governo do estado
pretende demolir para aumentar a área de estacionamento e melhorar o
acesso ao estádio. Os defensores da causa indígena temem que os
policiais iniciem a desocupação da Aldeia a qualquer momento. Índios
armados com arcos e flechas prometem resistir à desocupação. “O governo
quer fazer qualquer coisa aqui, um shopping, um estacionamento, menos
deixar para os índios. A gente não quer guerra, mas, caso a gente
precise, vamos guerrear”, disse o líder dos indígenas, José Urutao
Guajajara. O comandante do operação, tenente Melo, informou que
não iria agir de imediato, e que estava aguardando ordens superiores. No
entanto, a informação é de que a decisão judicial sobre a desocupação
já foi publicada no Diário Oficial. É aguardada a chegada de um oficial
de justiça com a decisão. Os indígenas convocam apoiadores e movimentos
sociais para vigília no local em defesa da preservação desse importante
espaço cultural. Os militares já cercaram a portaria do Museu do
Índio que, antes estava liberada para entrada da imprensa. O presidente
da Empresa de Obras Públicas (Emop), Ícaro Moreno, foi vaiado e xingado
quando observava a movimentação no local. Um cacique tucano tentou
dialogar com Ícaro, mas ele saiu andando. A polícia escoltou o
presidente da Emop até o estádio do Maracanã. No início da tarde, o
delegado federal Marcelo Nogueira chegou ao local com uma equipe da PF
após ser chamado pelo defensor público federal Daniel Macedo. Ele
afirmou que se não for expedido um mandado judicial para a PM entrar no
museu, não pode haver invasão. “Sem esse ofício a Polícia Militar está
determinantemente proibida de invadir a aldeia. Esse documento pode
chegar a qualquer momento, mas, até isso acontecer, as coisas têm que
permanecer do jeito que estão”, afirmou Macedo. Homens do Batalhão de Choque chegaram por volta de 5h à Aldeia MaracanãO
deputado Marcelo Freixo (Psol-RJ) também está no local e disse que não
existe uma ação judicial que justifique a decisão de invadir a Aldeia.
"O que teve foi a derrubada da liminar da Defensoria Pública, mas isso
já tem dois meses", afirmou. O parlamentar prega a cautela diante da
tensão gerada com a presença dos policiais. "É preciso muito cuidado
nesta hora. As forças policiais precisam ficar atentas. Se houver
invasão, haverá resistência. Este prédio tem toda uma identidade étnica,
e eles não vão sair de graça. Por isso, é preciso calma", alertou
Freixo.O deputado também disse que não sabe a quem interessa a
desapropriação. 'Acho que não interessa a ninguém, muito menos aos
turistas que chegarem ao Rio. Nenhum turista tem interesse em ver um
museu derrubado para virar estacionamento ou lanchonete", acrescentou. Entenda o caso Em
uma ação movida pelo defensor público da União do 2º Ofício de Direitos
Humanos e Tutela Coletiva, Daniel Macedo, a juíza federal Edna Carvalho
Kleemann, da 12ª Vara Federal do Rio de Janeiro, concedeu a liminar
impedindo a demolição do prédio do Museu do Índio, construído em 1862. Em
novembro, o governo do Rio de Janeiro, porém, recorreu desta liminar ao
Tribunal Regional Federal (TRF) da 2ª Região (Rio e Espírito Santo).
Ali, sua presidente, Maria Helena Cisnbe, em decisão monocrática
(pessoal) suspendeu os efeitos da liminar alegando não existir
tombamento do prédio. Para o defensor público, foi uma decisão que
contraria a lei, pois ignorou o decreto municipal nº 20.048/2001, que
proíbe a demolição de edificações construídas até o ano de 1937. Foi
respaldada neste decreto municipal que a juíza federal Edna concedeu a
liminar. Apesar das promessas do chefe da Procuradoria Regional da
República, Nívio de Freitas, de recorrer da decisão da presidente do
TRF - o que só pode ser feito por ele, como procurador regional chefe -
isto até hoje não aconteceu. Segundo explicações da PRR2, somente esta
semana, após o recesso de final de ano do judiciário, é que o processo
com a decisão da presidente do TRF-2 foi encaminhado à Procuradoria
Regional. Como o procurador Freitas está de férias, o caso foi entregue
ao procurador Newton Pena, que está analisando o que deve fazer.
> Justiça Federal cassa liminares que impediam demolição do antigo Museu do Índio>> Procuradoria pede vistas da decisão que liberou derrubada do Museu do Índio >> Índios da Aldeia Maracanã, em sentinela, prometem resistir com a vida A
partir das 18h está prevista uma manifestação cultural em favor da
Aldeia Maracanã, no antigo Museu do Índio. O protesto, que terá a
participação de entidades da sociedade civil, artistas e outros
defensores da causa indígena, tem o objetivo de dar visibilidade ao
movimento contra o despejo dos índios que ocupam o prédio que está para
ser demolido pelo governo do Estado visando à construção do Complexo do
Maracanã para receber a Copa 2014. Segundo a assessoria do Governo
do Estado, o projeto final estará no edital de licitação da concessão
do Complexo do Maracanã, a ser publicado até o final de janeiro. A
empresa vencedora responderá pela gestão, operação, manutenção e
readequação da área. A licitação para a demolição do antigo Museu
do Índio foi realizada em 20 de dezembro. A empresa vencedora, Compec
Construções e Locações, vai receber R$ 586.058,95 pelo serviço. O
contrato será assinado nos próximos dias e, a partir de então, o prazo
para a demolição será de 30 dias. A informação de que a demolição
aconteceria neste domingo (13) foi negada pelo governo estadual. Também
neste domingo está prevista a realização do Congresso Nacional da
Frente Internacional dos Sem Teto (Fist) no local. É esperada a presença
de ninguém menos do que o prefeito Eduardo Paes. O cacique da aldeia,
Tukano, diz que esteve com um assessor do prefeito que lhe assegurou a
ida de Paes à aldeia. "A não ser que ele mude de ideia", ironizou o
índio. A Prefeitura do Rio eximiu-se de comentar a decisão do
Conselho Municipal que se posicionou contra a demolição do prédio do
Museu do Índio, pois ela "ainda não é final, porque coube recurso das
partes. Por isso, não se pronunciará até que seja analisada novamente". "Capricho da administração pública" Para
o defensor público da União André Ordarcgy, do 1º Ofício de Direitos
Humanos e Tutela Coletiva da DPU, o decreto municipal 20.048/2001 "é bem
claro e fala que a demolição de prédios construídos até 1937 depende de
parecer favorável" do CMPC. "O Conselho deu parecer contrário.
Não vejo como contornar isso. O prefeito pode revogar o decreto e lançar
outro. Mas aí vai estar correndo risco de ser uma decisão movida pelo
particular e deixar de ser um ato impessoal. É exigido da Administração
Pública que seja impessoal e legisle por todos", advertiu o defensor. Segundo
Ordarcgy, é misteriosa a motivação do poder público de demolir o antigo
Museu do Índio, uma vez que diversos laudos técnicos já afirmaram que a
manutenção do prédio não atrapalha a livre circulação de pessoas. "Muito
mais do que a licitação que foi lançada, há um reforço dessa vontade
desconhecida do estado de querer demolir o Museu do Índio. Já foi
apresentado laudo comprovando matematicamente que ele não atrapalha a
livre circulação na área. O que se percebe é que a demolição passa por
um mero capricho da administração pública. Isso não pode ser tolerado
quando se fala da administração pública. Temos todas as provas
contrárias à demolição", ponderou. Ele prossegue esmiuçando que "a
situação deixa qualquer um que analisa o caso perplexo. A Fifa diz que é
contrária à demolição. O Crea é contrário, dizendo que não atrapalha a
livre circulação. O Inepac (órgão estadual que trata do tombamento de
prédios históricos) pediu o tombamento do imóvel. O Iphan (órgão federal
de preservação cultural), apesar de não ter tombado, disse que é
contrário. ONGs, arquitetos, urbanistas, a DPU e até a Alerj já se
manifestaram contra. Ninguém consegue entender por que demolir aquilo.
Por que vai demolir o prédio então?", questionou Ordarcgy. Escola Além
do prédio do antigo museu, a construção do Complexo do Maracanã também
prevê a demolição da Escola Municipal Friendenreich. No final do ano
passado, pais de alunos e ativistas também se manifestaram contra a
demolição da unidade educacional, que ganhou sobrevida de um ano.
Segundo a assessoria de imprensa do Governo do Rio, a derrubada do
imóvel ocorrerá após a transferência dos alunos para novo espaço, a ser
realizada nas férias escolares de 2013/2014. O assunto é tratado em
parceria pelo Governo do Estado e pela Prefeitura do Rio de Janeiro. MPF investiga "supostas irregularidades" no processo de concessão do Maracanã O
Ministério Público Federal no Rio de Janeiro (MPF-RJ) abriu em dezembro
um Inquérito Civil Público (ICP) para investigar “supostas
irregularidades” no processo de concessão do Maracanã. As obras do
estádio estão sendo custeadas com verbas públicas federal, através do
BNDES. A concessão visa entregar a administração do estádio à iniciativa
privada, que poderá explorar os espaços, o que incluirá uma espécie de
shopping e um grande estacionamento. A procuradora da República
Marta Cristina Pires Anciães é a responsável pelo inquérito. De acordo
com o MP, em uma reunião ocorrida no dia 21 de novembro foram noticiadas
supostas irregularidades no processo de concessão do Estádio Mário
Filho (Maracanã). Na reunião foi questionado, por exemplo, o fato
de a empresa IMX - de propriedade do milionário Eike Batista -,
concorrer à concessão apesar de ter sido responsável pelo estudo de
viabilidade econômica da mesma, além de ter ajudado a elaborar o edital
de concorrência que definirá o futuro administrador do estádio. Foi
noticiada, ainda, a "existência de licitação 'extra' para construção de
bilheterias e catracas do Maracanã sem a devida divulgação". Como
não foram dados detalhes das possíveis irregularidades, a procuradora,
ao instaurar o ICP encaminhou ao governo do estado uma requisição de
diversos documentos. O pedido dela inclui cópia integral do procedimento
administrativo relativo à contratação, em regime de parceria
público-privada (PPP), da gestão, operação e manutenção do Estádio Mário
Filho (Maracanã)e do Ginásio Gilberto Cardoso (Maracanãzinho),
notadamente dos seguintes documentos: estudo de viabilidade
econômico-financeira da concessão do Estádio Mário Filho (Maracanã) e do
Ginásio Gilberto Cardoso (Maracanãzinho), que deu lastro à cláusula
12.1, constante da minuta do Edital existente no sítio do Estado do Rio
de Janeiro na internet, com indicação da empresa contratada, data e nota
fiscal de prestação de serviço; projeto básico do modelo de concessão;
minuta do Edital com todos seus Anexos (ou Edital e seus Anexos, caso já
tenha sido assinado); caso já se tenha dado início à licitação, as
propostas eventualmente apresentadas. Entre as motivações para o
inquérito estão documentos que "indicam supostas irregularidades no
tratamento das questões envolvendo o entorno do referido equipamento
esportivo". Pelo que se sabe, em busca da chamada "mobilidade" e da
criação de uma quadra para aquecimento dos atletas, o governo do Estado
programa as demolições da Escola Municipal Friedenreich e do antigo
Museu do Índio, assim como do Parque Aquático Julio Delamare e do
estádio Célio de Barros. Atualmente, a procuradora aguarda o
encaminhamento oficial de tais documentos, principalmente, do estudo
econômico-financeiro que dará lastro à concessão. No próximo dia
28 de fevereiro está prevista a reinauguração do Maracanã, com vista à
disputa da Copa das Confederações. O estádio está fechado para reformas
desde 2010 e, até agora, o governo do Rio já comprometeu R$ 940 milhões
com a reforma. Parlamentares defendem o aprofundamento das investigações O
deputado estadual Paulo Ramos (PDT), opositor do governo de Cabral,
destacou que o que houve no Maracanã foi um "escândalo": "Reformar o
Maracanã não era uma prioridade. Temos exigências complexas. Veja as
enchentes, o saneamento básico, a educação e a saúde pública do estado.
Os servidores públicos abandonados, e gasta-se R$ 1 bilhão. É um
acinte", critica. O deputado classifica como "preocupante" a
relação entre o governador e diretores de empresas que prestam serviço
ao Estado. "Vamos imaginar que uma investigação dessa seja feita. Mas há
algumas figuras que se destacam como sócias do governante, como o
empresário Eike Batista e o caso da Delta, que é escandaloso. É tudo
muito preocupante". Ele aproveitou para alfinetar o caso em que Cabral
foi flagrado em fotos com o ex-diretor da Delta, Fernando Cavendish, e
outros secretários do governo, com guardanapos na cabeça em um
prestigiado restaurante de Paris, na França. "Ninguém quer destruir um
governo, mas ninguém quer que tenha um governo que não possa aparecer
publicamente, e só possa aparecer em solenidades fechadas como esta. Se
for publicamente, ele tem dificuldade de sustentar, porque a república
do guardanapo é de uma desmoralização muito grande", disparou. Já
a deputada Clarissa Garotinho disse que a investigação precisa
acontecer. "Movi essas ações no âmbito do Judiciário e do Ministério
Público do Estado do Rio. Se essas investigações estão acontecendo,
deveria paralisar o processo de privatização. Até porque há um
questionamento na Justiça se o Maracanã pertence ao Estado ou à
Prefeitura do Rio. Então, não é possível que depois de investir R$ 1
bilhão só na última reforma, entreguem o Maracanã de mão beijada à
iniciativa privada. A investigação é bem-vinda, e outras virão porque eu
e outros deputados já movemos outras ações", defendeu a deputada.
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